Uma luz sobre a (in)visibilidade e (r)existência da mulher na envelhescência
As mulheres, ao envelhecerem, passam por mudanças que impactam as dimensões biológica, estética, psicológica, relacional e profissional. Entretanto, pode ser um momento de libertação, mas que é reprimido pelos padrões que transformam o envelhecimento em algo não-natural e doentio, a ser combatido e apagado. Existe uma questão ética calcada na valorização/desvalorização da senectude e na crise do paradigma cultural vigente.
Este trabalho decorre da vivência deste modelo potencializado pela invisibilidade e obsolescência social, cuja percepção dolorosa teve como gatilho a morte de minha mãe, a aposentadoria por invalidez, a saída dos filhos de casa e a reforma da mesma, para transformar antigos espaços, cuja existência não fazia mais sentido, possibilitando a ressignificação e a construção de uma nova identidade. O registro das performances, sempre de forma solo e intimista, iniciou em 2019 e terminou em 2020 durante a pandemia da COVID19, de forma que todo este processo de ressignificação psíquica resultasse em autorretratos, produzidos em longa exposição, com a sobreposição digital de filamentos sanguíneos, o uso do mesmo vestido costurado a partir daquele usado para o casamento da primeira filha e dos objetos acumulados ao longo do tempo.
Foi possível evidenciar diversas unidades de significado, que se apresentavam em camadas, tais como: acumulação de objetos, solidão, ninho vazio, menopausa, inutilidade, invisibilidade, morte, solidão, dor física e emocional, modificação do meu corpo, marcas da passagem do tempo, cansaço, vergonha, memória, desconstrução, liberdade e ressignificação da envelhescência.
*segue uma amostra das imagens produzidas
2º Lugar na Convocatória Internacional HuellArts Digital (Asociación Huellas de Mujer), Espanha, 2021.
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