Uma luz sobre a (in)visibilidade e (r)existência da mulher na envelhescência
As mulheres, ao envelhecerem, passam por mudanças que impactam as dimensões biológica, estética, psicológica, relacional e profissional. Entretanto, este momento, que pode ser libertador, é reprimido pelos padrões que transformam o envelhecimento em algo não-natural e doentio, a ser combatido e apagado. Existe uma questão ética calcada na valorização/desvalorização da senectude e na crise do paradigma cultural vigente, que leva ao etarismo.
Este trabalho decorre da percepção dolorosa, após a morte de minha mãe, de um padrão que eu também repetia, o acúmulo de objetos ao longo da vida. A aposentadoria por invalidez, a saída dos filhos de casa e a reforma da mesma, para transformar antigos espaços, cuja existência não fazia mais sentido, potencializaram este processo, acentuado pela sensação invisibilidade e obsolescência social.
Realizei performances, entre 2019 e 2020, com os objetos acumulados por mais de 40 anos, para que eu tivesse um registro de suas existências em minha vida, antes de descartá-los. Todo este processo resultou em autorretratos produzidos em longa exposição, com a sobreposição digital de filamentos sanguíneos. O vestido usado foi produzido a partir da roupa usada no casamento da primeira filha.
Durante as performances, percebi que diversas unidades de significado se revelaram, tais como: solidão, ninho vazio, menopausa, inutilidade, invisibilidade, morte, dor, modificação do meu corpo, marcas da passagem do tempo, cansaço, vergonha, memória, desconstrução, liberdade e ressignificação da envelhescência.
Segue uma pequena amostra das imagens produzidas
2º Lugar na Convocatória Internacional HuellArts Digital (Asociación Huellas de Mujer), Espanha, 2021.
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Amphemeral - A light on the (in)visibility and (r)existence of women in aging
As women age, they undergo changes that impact the biological, aesthetic, psychological, relational and professional dimensions. However, this moment, which can be liberating, is repressed by the patterns that transform aging into something unnatural and unhealthy, to be fought and erased. There is an ethical issue based on the valorization/devaluation of senectity and on the crisis of the current cultural paradigm.
This work stems from the painful perception, after my mother's death, of a pattern that I also repeated, the accumulation of objects throughout life. Retirement due to disability, the children leaving the house and its renovation, to transform old spaces, whose existence no longer made sense, potentiated this process, accentuated by the sensation of invisibility and social obsolescence.
I carried out performances, between 2019 and 2020, with objects accumulated over 30 years, so that I would have a record of their existence in my life, before disposing of them. This entire process resulted in self-portraits produced in long exposure, with the digital superposition of blood filaments. The dress used was produced from the clothes worn at the first daughter's wedding.
During the performances, I realized that several units of meaning were formed, such as: loneliness, empty nest, menopause, uselessness, invisibility, death, pain, modification of my body, marks of the passage of time, tiredness, shame, memory, deconstruction, freedom and resignification of aging.
Follows a small sample of the images produced
2nd place in the HuellArts Digital International Convocation (Asociación Huellas de Mujer), Spain, 2021.