AC2. Impressões do confinamento.
Ano 2020, vejo o mundo diferente, o racional não é o imperador dos meus sentidos. A falta de foco no meu cotidiano me deixa confusa e meu movimento deixa rastros. Não controlo nada e o imprevisível é uma metáfora de vida.
Arrogância, egoísmo e ineficiência levaram a proliferação do vírus que veio mostrar o quão fragmentada e desigual é a sociedade que habito. A menor partícula viva destruiu Golias e a enzima AC2 do pulmão (ar coletivo) e do coração (afeto) é inativada pelo COVID.
Só depois da morte deste sistema carcomido, outros corpos extra sistema poderão viver e coexistir. Não há como escapar, a menos que rompamos, intencionalmente, com o status-quo dissolvendo a espuma social, para que não mais existam pessoas des-imunes e imunes, nem obsessões que dominam a gestão política da vida e da morte e a sociedade saia desta anestesia social em que se encontra.
A solidariedade deverá ser a narrativa universal e a forma de resistência.
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Trabalho selecionado na convocatória Capullo Exposición Internacional, Uruguai (on-line, 2020) e na convocatória Por dentro de um tempo suspenso (on-line, 2020).
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