Minha pesquisa se centra na construção de imagens que representem os processos psíquicos que permeiam meu cotidiano como mulher e que fragilizam minha sensibilidade corpórea, causando dor. Busco entender o processo em questão de forma holística, relacionando causas e consequências numa perspectiva biopsicosocioambiental, isto é, a compreensão resulta da interação dos fatores biológicos, sociais e ambientais. Mapeio, emocionalmente, a dor no meu corpo relacionando-a ao corpo casa, corpo social, corpo território, corpo cidade, corpo floresta e corpo memória.
Essa forma de abordar o assunto se deve a minha formação na área das práticas integrativas em saúde, como farmacêutica industrial especializada em plantas medicinais, homeopatia e acupuntura com mestrado em Saúde e Ambiente. Por isso, sempre começo meus processos criativos pesquisando em base de dados científicos buscando explicações, para depois realizar croquis, com detalhamento e planejamento das técnicas utilizadas na produção de poesia visual, fotografia híbrida ou não, performance, vídeo, objeto, instalação, intervenção em espaços naturais ou urbanos, por vezes expando o campo utilizando duas ou mais linguagens na mesma obra.  Daí resulta um bloco de notas, que abarca várias unidades de significado, conceitos e pensamentos que surgiram durante o processo.
Para dar substância a estas questões polissêmicas, metafórica e imageticamente, realizo o trabalho de forma solitária e intimista, ora em ambientes internos, ora em ambientes externos. Desta forma, realizo dois ou mais projetos paralelamente, permitindo a alternância que me é necessária ao distanciamento, à decantação emocional e ao olhar crítico, para que eu possa me recuperar fisicamente.
Para mim, a experiência do processo criativo é uma catarse, uma forma de colocar para fora o que me causa dor e me libertar, é um caminho para a cura e para o resgate do valor da vida. Para as outras pessoas, acredito que a interação com o meu trabalho possa produzir o entrelaçamento das nossas subjetividades, a reflexão sobre o embate político frente à conjuntura social, numa perspectiva de vislumbrar outras possibilidades e sensibilidades, outras formas de existir e imaginar, que escapem a este modelo predominante e imposto, que nos oprime.
STATEMENT
My research focuses on the construction of images that represent the psychic processes that permeate my daily life as a woman and that weaken my bodily sensitivity, causing pain. I seek to understand the process in question holistically, relating causes and consequences in a "biopsychosocialenvironmental" perspective, that is, understanding results from the interaction of biological, social and environmental factors. I map, emotionally, the pain in my body relating it to the home body, social body, city body and forest body.
This way of approaching the subject is due to my training in the area of ​​integrative practices in health, as an industrial pharmacist specializing in medicinal plants, homeopathy and acupuncture with a master's degree in Health and Environment. That's why I always start my creative processes by researching a scientific database, and then make sketches, detailing and planning each visual poetry, photography, performance, video, object, installation, intervention in natural or urban spaces. From there comes a notepad, which encompasses several units of meaning, concepts that appeared during the process.
To give substance to these polysemic issues, metaphorically and imagetically, I carry out my work in a solitary and intimate way, sometimes indoors, sometimes outdoors. In this way, I carry out two or more projects simultaneously, allowing the alternation that is necessary for me to distance, emotional decantation and a critical eye, so that I can recover physically.
For me, the experience of the creative process is a catharsis, a way of letting go of what causes me pain and freeing me, it is a path to healing and the recovery of the value of life. For other people, I believe that the interaction with my work can produce the intertwining of our subjectivities, the reflection on the political struggle against the social situation, in a perspective of envisioning other possibilities and sensitivities, other ways of existing and imagining that escape to this prevailing and imposed model, which oppresses us.